quarta-feira, 27 de abril de 2011

7 Falsificações de Arrependimento - Mark Driscoll




Você está fazendo a vontade de Deus ou a sua? - Paul Washer

Fonte: Voltemosaoevangelho.com

Uma necessidade contínua

Por Tullian Tchividjian

A história de Jonas nos mostra que o evangelho – as boas novas de que Deus busca os pecadores sem medir esforços para salvá-los – é tanto para cristãos como para não cristãos. A vida de Jonas é uma prova disso, pois Jonas, que conhece a Deus, obviamente necessita tanto de salvação quanto qualquer outro personagem da história. De fato, sua necessidade de resgate acaba ganhando muito mais ênfase do que que a dos outros. É a história dele, não a dos Ninivitas, que aparece mais. Só isso já deveria ser suficiente para nos convencer de que o resgate de Deus é uma necessidade contínua para cristãos e não cristãos.


O evangelhos não são simplesmente um conjunto de verdades que os não cristãos devem acreditar para se tornarem salvos. É uma realidade que os cristãos devem abraçar diariamente para experimentarem a salvação. O evangelho não apenas nos salva da penalidade do pecado (pela justificação), mas também nos salva do poder do pecado (pela santificação) dia após dia. Ou, como John Piper disse certa vez, “A cruz não é só um lugar passado de substituição objetiva; é um lugar presente de execução subjetiva”. Nosso pecado diário requer a graça diária de Deus – a graça que vem a nós através da obra completa de Jesus Cristo.


As igrejas tem estado em conflito por anos a respeito de se os cultos devem ser voltados aos cristãos (para encorajá-los e fortalecê-los) ou aos não cristãos (para atraí-los e conquistá-los). Mas esse debate e o conflito sobre ele é uma perda de foco. Estamos fazendo as perguntas erradas e assumindo conceitos errados. A verdade é que nossos cultos devem ser voltados a pecadores em necessidade do resgate de Deus – e isso inclui tanto cristãos quanto não cristãos. Já que os dois grupos precisam da intervenção de Deus, ambos precisam do evangelho.
Nosso pecado diário requer a graça diária de Deus - a graça que vem a nós através da obra completa de Jesus Cristo.


Cristãos necessitam do evangelho porque nossos corações estão sempre propensos a se desviarem; somos sempre tentados a fugir de Deus. É preciso o poder do evangelho para nos direcional de volta ao primeiro amor. Caminhar conscientemente em direção ao evangelho deve ser uma realidade e uma experiência diária para todos nós. Isso significa, como Jerry Bridges nos lembra, “pregar o evangelho para nós mesmos todos os dias”. Devemos permitir que Deus nos lembre todos os dias, através de sua Palavra, sobre a obra completa de Cristo em favor dos pecadores para continuarmos convencidos de que o evangelho é relevante.
Eu vejo que sou especialmente necessitado de um ajuste de foco, por meio do evangelho, para me manter longe de uma constante tendência de caminhar em direção à um relacionamento de barganha com Deus. Não estou sozinho nesse caminho; Jerry Bridges observa o quão comum é isso em nosso meio:
Minha observação sobre o cristianismo me revela que a maioria de nós tende a basear nosso relacionamento com Deus em nossas atitudes ao invés da graça. Se agirmos bem – seja lá o que “bem” significa para cada um de nós – então esperamos que Deus nos abençoe. Se não agirmos tão bem, nossas expectativas diminuem na mesma proporção. Nesse sentido, vivemos pelas nossas obras, ao invés de vivermos pela graça. Somos salvos pela graça, mas ainda vivemos pelo “suor” de nossas próprias obras.


Mais ainda, estamos sempre nos desafiando e desafiando uns aos outros a “tentar um pouco mais”. Parece que acreditamos que o sucesso da vida cristã (seja lá como definimos “sucessos”) depende basicamente de nós: nosso comprometimento, nossa disciplina e nosso zelo, com alguma ajuda de Deus ao longo do caminho. Falamos da boca para fora que somos como o apóstolo Paulo, “Mas, pela graça de Deus, sou o que sou” (1 Coríntios 15:10), mas nosso lema velado é “Deus ajuda quem se ajuda”.


O reconhecimento de que meu relacionamento diário com Deus é baseado nos méritos infinitos de Cristo, ao invés das minhas obras, é uma experiência muito libertadora e confortante.


A diferença entre viver para Deus e viver para qualquer outra coisa é que quando nós vivemos para qualquer outra coisa, o fazemos para sermos aceitos, mas quando vivemos para Deus, o fazemos porque já fomos aceitos. Verdadeira liberdade (a liberdade que apenas o evangelho garante) é viver para algo que já nos favoreceu ao invés de viver por algo em troca de favorecimento.

                                                                       Fonte: iprodigo.com

Transformando sua leitura da Bíblia

Por Dane Ortlund
Em um debate teológico com os PhDs religiosos de sua época, Jesus afirmou àqueles que alegavam ter Moisés como patriarca: “Se vocês cressem em Moisés, creriam em mim, pois ele escreveu a meu respeito” (João 5.46).
É assim que você lê o Antigo Testamento?
A teologia bíblica molda nossa leitura da Bíblia ao alinhá-la à leitura do próprio Jesus – a saber, a leitura da Palavra de Deus como boas novas historicamente fundamentadas a respeito da graça de Deus através do Filho de Deus para o povo de Deus, para a glória de Deus.
Posicione na grande história
As lentes da teologia bíblica nos treinam a posicionar qualquer passagem no escopo da história única. Essa maneira de ler a Bíblia alegremente reconhece os diversos gêneros na Escritura – narrativo, poético, profecia, cartas. Embora a Bíblia não sejauniforme, ela é unificada.
A teologia bíblica lê a Bíblia como um drama se desdobrando, tomando lugar no tempo e no espaço do mundo real, que culmina em um homem chamado Jesus – que disse que “tudo o que a meu respeito estava escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos” – uma expressão para todo o Antigo Testamento – “era necessário que se cumprisse” (Lucas 24.44).
Alternativas para a abordagem da teologia bíblica
De que outras maneiras podemos ler a Bíblia?
  • A Abordagem Mina de Ouro – ler a Bíblia como uma mina vasta, cavernosa e sombria, onde ocasionalmente tropeça-se em uma pedra de inspiração. Resultado: leitura confusa.
  • A Abordagem Heróica – ler a Bíblia como um hall da fama moral que dá um exemplo após outro de gigantes espirituais que devem ser imitados. Resultado: leitura desesperadora.
  • A Abordagem das Regras – ler a Bíblia procurando mandamentos para obedecer a fim de sutilmente reforçar um sentimento de superioridade pessoal. Resultado: leitura farisaica.
  • A Abordagem Artefato – ler a Bíblia como um documento antigo sobre eventos no Oriente Médio há algumas centenas de anos que são irrelevantes para minha vida hoje. Resultado: leitura chata.
  • A Abordagem Manual de Instruções – ler a Bíblia como um mapa que me diz onde trabalhar, com quem casar e que xampu usar. Resultado: leitura ansiosa.
  • A Abordagem Doutrinária – ler a Bíblia como um repositório teológico para sacar munição para meu próximo debate teológico na Starbucks. Resultado: leitura fria.
Não transforme a bíblia em algo que ela não é
Existe certa verdade em cada uma dessas abordagens. Mas tornar uma delas a lente predominante é transformar a Bíblia em um livro que ela nunca se propôs a ser. A abordagem da teologia bíblica entende a Bíblia em seus próprios termos – a saber, que “todas as promessas de Deus encontram seu ‘Sim’ em Jesus” (2 Coríntios 1.20). Resultado: leitura transformadora.
A teologia bíblica te convida a ler a Bíblia entendendo qualquer passagem dentro da narrativa central que culmina em Cristo. A Bíblia não é primariamente mandamentos com histórias de graça salpicadas. É primariamente uma história de graça com mandamentos espalhados nela. 
E o que dizer das partes estranhas? 
Algumas partes da Bíblia, é claro, parecem nada ter a ver com essa história de graça.
  • Como, por exemplo, lemos registros obscuros do Antigo Testamento sobre reis israelitas perversos ou sacerdotes malignos? A resposta da perspectiva da teologia bíblica é essa: Lemos como histórias que gradualmente intensificam nosso desejo por um verdadeiro rei, um sacerdote final, que nos liderará como esses homens deveriam ter feito – verdadeiramente representando Deus para o povo (rei) e o povo para Deus (sacerdote).
  • Como lemos genealogias? Como testemunhos da graça de Deus a indivíduos reais, levando as promessas de Deus em linhagens específicas de maneiras concretas, promessas que nunca falharam, e que, em última análise, encontram realização em Jesus.
  • Como lemos Provérbios? Como boas novas de sábio auxílio de alguém para discípulos trôpegos como você e eu.
Um livro de boas notícias  
Imagine cair de paraquedas no meio de um livro, lendo uma frase e tentando entender tudo o que essa frase diz sem posicioná-la no meio do romance como um todo. Isso confundiria o leitor, obscureceria o significado e insultaria o autor.
A Bíblia é o relato autobiográfico de Deus da sua missão pessoal de resgate para restaurar um mundo perdido por meio de seu Filho. Cada verso contribui com essa mensagem.
A Bíblia não é discurso motivacional. É Boa Notícia

                                                                           Fonte: Iprodigo.com

Expulsando o mundanismo com uma nova afeição

Por Sinclair Ferguson

Thomas Chalmers (1780-1847) foi um dos homens mais notáveis de seu tempo – matemático, teólogo evangélico, economista, sacerdote, político e reformador social, tudo de uma vez. Seu sermão mais famoso foi publicado com o estranho título “O Poder Expulsivo de uma Nova Afeição”. Ali ele expõe uma ideia de importância permanente para a vida cristã: você não pode destruir o amor pelo mundo meramente mostrando sua futilidade. Mesmo se pudéssemos, isso nos levaria somente ao desespero. O primeiro amor de nossos corações, centrado no mundo, só pode ser expulso por um novo amor e afeição – por Deus e proveniente de Deus. O amor ao mundo e o amor ao Pai não podem habitar juntos no mesmo coração. O amor ao mundo só pode ser lançado fora pelo amor do Pai. Daí o título do sermão de Chalmers.
A verdadeira vida cristã, o viver santo e reto, requer uma nova afeição pelo Pai como força-motora. Esta nova afeição é parte do que William Cowper chamou de “a bem-aventurança que eu senti quando vi o Senhor pela primeira vez” – um amor pelo santo, no início da vida cristã, que parece desferir em nossas afeições carnais um golpe mortal. Entretanto, logo descobrimos que, embora tenhamos morrido para o pecado em Cristo, o pecado certamente não morreu em nós. Algumas vezes sua contínua influência nos surpreende, parece até nos controlar em uma ou outra de suas manifestações. Descobrimos que nossas “novas afeições” pelas coisas espirituais deve ser renovada constantemente durante toda a nossa peregrinação. Se perdermos o primeiro amor, nos encontraremos em sério perigo espiritual.
Onde está o relacionamento vivo com Deus?

Algumas vezes, cometemos o erro de substituir isso por outras coisas. Os favoritos aqui são ativismo e estudo. Tornamos-nos ativos no serviço eclesiástico (ganhamos posições anteriormente ocupadas por aqueles a quem admirávamos, e medimos nosso crescimento espiritual em termos da posição conquistada); tornamos-nos ativos no evangelismo e, no processo, medimos nosso poder espiritual em termos do crescimento de nossa influência; ou nos tornamos ativos socialmente, em campanhas morais e políticas, e medimos o crescimento em termos de envolvimento. Alternativamente, reconhecemos o desafio e a fascinação intelectual do Evangelho, e nos devotamos a entendê-lo, talvez para nosso prazer, às vezes para comunicar aos outros. Medimos nossa vitalidade espiritual em termos de entendimento ou em termos da influência que temos sobre os outros. Mas, nem posição, influência ou envolvimento podem expulsar o mundo de nossos corações. De fato, elas podem ser expressões deste amor.
Outros de nós cometem o erro de substituir a afeição amorosa pelo Pai por regras de piedade: “Não manuseie! Não prove! Não toque!”. Essas disciplinas têm um ar de santidade nelas, mas de fato elas não têm o poder de deter o amor pelo mundo. A raiz do problema não está em minha mesa ou na minha vizinhança, mas em meu coração. O mundanismo ainda não foi expelido.
Onde está o primeiro amor?

É também possível, nessas diferentes maneiras, ter a forma de piedade genuína (quão sutis nossos corações são!) sem seu poder. O amor pelo mundo não foi removido, mas apenas entretido. Somente um novo amor é capaz de expulsar o antigo. Somente o amor por Cristo, com tudo o que ele implica, pode empurrar para fora o amor por este mundo. Somente aqueles que anseiam pelo aparecimento de Cristo serão libertos da deserção, semelhante à de Demas, causada pelo amor a este mundo.
Como podemos recuperar a nova afeição por Cristo e seu reino, que impactou tão poderosamente nosso mundanismo, e onde crucificamos a carne e suas paixões?
O que provocou aquele primeiro, afinal? Você se lembra? Foi nossa descoberta da graça de Cristo no reconhecimento de nosso próprio pecado. Não somos naturalmente capazes de amarmos a Deus; na verdade, nós o odiamos. Mas ao descobrir isto sobre nós mesmos, e ao aprender sobre o amor sobrenatural de Deus por nós, o amor pelo Pai nasceu. Aquele que é muito perdoado, muito ama. Nos alegramos na esperança da glória, no sofrimento, e no próprio Deus. Essa nova afeição parece primeiro atacar nosso mundanismo e depois dominá-lo. As realidades espirituais – Cristo, graça, Escritura, oração, comunhão, serviço, viver para a glória de Deus – preenchem nossa visão, e parecem tão grandiosas, tão desejáveis, que outras coisas em comparação parecem diminuir de tamanho e se tornam insossas ao paladar.
Voltemos à Maravilhosa Graça!

A maneira de mantermos “o poder expulsivo da nova afeição” é a mesma de quando o conhecemos pela primeira vez. Somente quando a graça ainda é “maravilhosa” para nós, ela retém seu poder em nós. Somente quando continuamos com um senso de nossa profunda pecaminosidade podemos reter um senso da graciosidade da graça.
Muitos de nós compartilhamos as tristes perguntas de Cowper: “Onde está a bem-aventurança que conheci quando vi o Senhor pela primeira vez? Onde está a visão de Jesus e de sua Palavra que restaura a alma?”. Vamos nos lembrar de onde temos caído, nos arrepender e retornar às primeiras obras. Seria triste se uma análise mais profunda de nosso cristianismo apresentasse a falta do senso de pecado e de graça. Isto sugeriria que sabíamos pouco sobre o poder expulsivo de uma nova afeição. Mas não há vida reta que dure sem isso.

                                                                          Fonte: Iprodigo.com